domingo, 30 de outubro de 2016

Música ao Domingo #22: António Zambujo "Injuriado"


Realizador, Editor, Director de Fotografia / Director, Editor, Cinematographer: André Tentúgal; Produzido por / Produced by Joana Cordeiro; Assistentes de Produção / Production Assistants: David Craveiro, Margarida Sá Coutinho; “Injuriado” Música e Letra / Song and Lyrics: Chico Buarque

Se eu só lhe fizesse o bem
Talvez fosse um vício a mais
Você me teria desprezo por fim
Porém não fui tão imprudente
E agora não há francamente
Motivo para você me injuriar assim
Dinheiro não lhe emprestei

Favores nunca lhe fiz
Não alimentei o seu gênio ruim
Você nada está me devendo
Por isso, meu bem, não entendo
Porque anda agora falando de mim

Se eu só lhe fizesse o bem
Talvez fosse um vício a mais
Você me teria desprezo por fim
Porém não fui tão imprudente
E agora não há francamente
Motivo pra você me injuriar assim

Dinheiro não lhe emprestei
Favores nunca lhe fiz
Não alimentei o seu gênio ruim
Você nada está me devendo
Por isso, meu bem, não entendo
Porque anda agora falando de mim

Se eu só lhe fizesse o bem
Talvez fosse um vício a mais
Você me teria desprezo por fim
Porém não fui tão imprudente
E agora não há francamente
Motivo pra você me injuriar assim
Dinheiro não lhe emprestei

Favores nunca lhe fiz
Não alimentei o seu gênio ruim
Você nada está me devendo
Por isso, meu bem, não entendo
Porque anda agora falando de mim

domingo, 23 de outubro de 2016

Música ao Domingo #21: Coldplay "Don't Panic"


Music video by Coldplay performing Don't Panic. (C) 2005 EMI Records Ltd 
This label copy information is the subject of copyright protection. All rights reserved. (C) 2005 EMI Records Ltd

Bones, sinking like stones,
All that we fought for,
Homes, places we've grown,
All of us are done for.
And we live in a beautiful world,
Yeah we do, yeah we do,
We live in a beautiful world,

Bones, sinking like stones,
All that we fought for,
And homes, places we've grown,
All of us are done for.
And we live in a beautiful world,
Yeah we do, yeah we do,
We live in a beautiful world.

Here we go,
Here we go.

And we live in a beautiful world,
Yeah we do, yeah we do,
We live in a beautiful world.

Oh, all that I know,
There's nothing here to run from,
Cos yeah, everybody here's got somebody to lean on.

Fonte: A-Z Lyrics

sábado, 22 de outubro de 2016

"Os Antiquários" de Pablo De Santis [Opinião]

Título: Os Antiquários
Título original: Los Anticuarios
Autor: Pablo De Santis
Tradutora: Helena Pitta
Edição/reimpressão: 2013 (publicação original em 2010)
Editora: Dom Quixote
Temática: Romance
N.º de páginas: 232
Para adquirir:

Sinopse:

Os antiquários vivem escondidos, sempre rodeados por objetos do passado, em velhas livrarias ou lojas de antiguidades. Não suportam as mudanças nem o presente, são colecionadores. Têm a capacidade de evocar nos outros o rosto ou os gestos de pessoas que morreram. Aprenderam a controlar a sede primordial. Mas quando se sentem atacados, o antigo apetite regressa…

A partir de um incidente, Santiago Lebrón ficará contaminado, transformado em mais um antiquário. E enquanto descobre os segredos dessa antiga tradição, conhecerá o amor estranho, poderoso e perturbador provocado pela sede de sangue. Terá também de descobrir as estratégias de sobrevivência num mundo hostil. Entre elas, a obrigação de acabar com a vida daqueles que cedem à sede, para que a tradição possa continuar na sombra.

Reinventando o mito dos vampiros de forma inteligente, e afastando-se das abordagens corriqueiras da literatura do género dos últimos anos, Pablo de Santis volta a deslumbrar-nos com um notável romance onde seres melancólicos, que habitam espaços repletos de nostalgia, e sobretudo de livros, vivem reclusos.

Opinião: 

Desde criança que Santiago Lebrón contactou com os livros: após ser castigado por uma diabrura, o seu local de contrição foi a biblioteca da aldeia. 

Aos vinte anos procurou, na cidade de Buenos Aires, uma outra vida: primeiro a reparar máquinas de escrever com o tio, depois empregado num jornal onde se torna responsável pela secção «O Mundo do Oculto». E, assim, tudo o que o rodeia começa a mudar drasticamente graças às investigações que desenvolve em torno dos antiquários.

Esta é a história de como Santiago se tornou igualmente um antiquário, ou seja, um vampiro que, apesar de de evitar o sol dizimador e de conseguir controlar a sua sede primordial, se vê refém pela impossibilidade de concretizar o amor que o atormenta, restando-lhe a fuga e a solidão. Não há soluções perfeitas, sendo por isso a capacidade de adaptabilidade determinante para a sobrevivência do protagonista.

De Santis oferece-nos vampiros que ocultam a sua existência em livrarias, antiquários, galerias de arte, tudo o que lhes invoca o passado, permite controlar a existência quotidiana e os impede de imaginarem o incógnito e solitário futuro. E nada melhor para estes seres avessos a mudanças, do que o universo apelativo aos amantes de livros que o autor explora e do qual fica o exemplo:

«Graças a Calisser fui construindo a minha biblioteca. A minha biblioteca-mala, na realidade, porque guardada todos os livros na minha velha mala com autocolantes de transatlânticos e hotéis, que acabou por ficar cheia. Um dos primeiros livros que me ofereceu foi um exemplar da Eneida onde eu tinha estado a meter o nariz.

- É uma má tradução. Mas as más traduções são fundamentais na história da literatura porque são a prova de que os bons livros resistem a qualquer coisa. Sem as más traduções, que mérito teria a nossa fé?»

Tal como nos diz a sinopse, esta é uma belíssima reinvenção da mitologia vampiresca e relembrou-me, por diversas ocasiões, A Sombra do Vento de Carlos Ruiz Zafón, pelo seu ambiente melancólico, mas, principalmente, pelo carácter defensivo deste mundo de livros cujos segredos cheiram a sangue fresco.

Classificação: 4,5/5*

Sobre o autor:
Pablo De Santis nasceu em Buenos Aires, em 1963. É licenciado em Letras pela Universidade de Buenos Aires e trabalhou como jornalista e como guionista de banda desenhada, quer compilou em dois álbuns: Rompecabezas e El hipnotizador. Publicou mais de dez livros para adolescentes, ganhando em 2004 o Prémio Konex de Platina. O volume Rey secreto (2005) reúne pequenos contos. É também autor dos romances El palacio de la noche (1987), A Tradução (1998), Filosofía y Letras (1999), El teatro de la memoria (2000), O Calígrafo de Voltaire (2001), La sexta lámpara (2005), O Enigma de Paris (2007), com o qual obteve o Prémio Planeta-Casa de América 2007 e o Prémio da Academia Argentina de Letras 2008, e Os Antiquários (2010). Escritor de sucesso internacional, as suas obras encontram-se traduzidas em francês, italiano, português, alemão, checo, grego, holandês e russo. Fonte: WOOK

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

As minhas estantes #2

No seguimento da satisfação da curiosidade livrólica [que se iniciou aqui], continuo a partilhar convosco as minhas estantes.

Algo que me fez aumentar de modo significativo o número de livros na minha biblioteca - e em significativamente pouco tempo - foram as colecções de jornais e revistas. Neste processo de me descobrir e tornar leitora, encontrei inúmeros livros a preços acessíveis ou quase oferecidos, sobretudo publicados com as revistas Visão e Sábado e os jornais Expresso e Público.

Além disso, a minha mãe foi, durante vários anos, sócia do Círculo de Leitores o que se pode comprovar, principalmente na primeira prateleira através de alguns clássicos ou com a colecção de História de Portugal e igualmente na última prateleira, preenchida pelos livros da colecção Disney, da qual ainda não tive coragem de me desfazer, apesar da falta de espaço...

Nestas pequenas estantes encontram-se livros em formato de bolso, nomeadamente edições da Europa-América, Bis LeYa, Fundação Francisco Manuel dos Santos, Unibolso, entre outras. 

Neste lado tento colocar as obras de não ficção, apesar de já se poderem notar alguns "intrusos".

Por último, neste pequeno módulo, para o qual só encontrei espaço em cima da secretária, destaco a colecção Biblioteca Sábado completa, Os Miseráveis de Victor Hugo e a edição de todas as Crónicas de Narnia em inglês. Actualmente, naquele espacinho da secretária que na fotografia não apresenta nada, encontra-se uma considerável pilha de... livros.

Para substituir as estantes brancas, baixas e pouco propícias à colocação de livros, tenho o desejo de adquirir umas estantes novas. Neste momento, as que tenho em vista pertencem à gama Billy do IKEA. 
O que acham? Conhecem modelos melhores/mais adequados? Sugestões agradecem-se! 

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

"Contos ASSESTA - Alentejo" [Opinião]

Título: Contos ASSESTA - Alentejo
Autores: Carlos Campaniço, Dora Nunes Gago, Fernando Évora, Fernando Guerreiro, Joaninha Duarte, José Teles Lacerda, Luís Contente, Luís Miguel Ricardo, Maria Ana Ameixa, Napoleão Mira, Olinda P. Gil, Vítor Encarnação
Ilustradores: Alexandra Prieto, Beatriz Lacerda, Danuta Wojciechowska, Flávio Horta, Hugo Lucas, Igor Nunes Silva, João Brilhante, Joaquim Rosa, Paulo Monteiro, Pilar Puryana, Rita Cortez
Edição/reimpressão: 2015
Editora: ASSESTA
Temática: Contos
N.º de páginas: 144
Para adquirir:



Sinopse:
Contos ASSESTA é uma obra na modalidade de conto, escrita por 12 autores alentejanos. Cada um dos textos, para além de dar vazão à identidade literária do seu criador, reflete o Alentejo, as suas gentes e tradições, narrado de uma forma viva, envolvente e sedutora, ora com o drama, ora com a comédia, ora com a aventura, ora com a desventura que caracterizam tão bem esse pedaço de terra desafogada que se espraia além do Tejo. Escrevem: Carlos Campaniço, Dora Nunes Gago, Fernando Évora, Fernando Guerreiro, Joaninha Duarte, José Teles Lacerda, Luís Contente, Luís Miguel Ricardo, Maria Ana Ameixa, Napoleão Mira, Olinda P. Gil e Vitor Encarnação.

E porque cada conto tem uma ilustração, ilustram: Alexandra Prieto, Anita, Beatriz Lacerda, Danuta Wojciechowska, Flávio Horta, Hugo Lucas, Igor Nunes Silva, Joaquim Rosa, João Brilhante, Paulo Monteiro, Pilar Puyana e Rita Cortez.

A capa é da autoria de Joaquim Rosa.

Opinião:

Assim que recebi este livro fiquei, sem dúvida, curiosa. Primeiro, porque são histórias da minha terra, ou acerca dela inspiradas e cada vez mais a aprecio, sobretudo depois de ter estado noutras paragens. Segundo, porque reúne o contributo de vários escritores, acerca alguns dos quais já tinha referências - Carlos Campaniço, Fernando Évora, Olinda P. Gil. Por isso, foi com expectativa que parti para esta leitura.

Tal como a classificação que se segue indica, os contos que mais prazer me deram, quer pela história, quer pela escrita, foram Porquêra de Fernando Évora e A Parvoinha de Joaninha Duarte pelas realidades duras que retratam; A ilustre luta de leitores de pensamentos de José Teles Lacerda pelo seu tom satírico; e O bibliotecário de Napoleão Mira, pelo amor aos livros ternamente plantado.

Porém, tal não é sinónimo que a leitura dos restantes não valha a pena. Todos estão preenchidos de sol abrasador, da consoladora sombra do sobreiro, das vozes cavernosas do cante, da fala característica do povo, das situações que se armam sem delas se dar conta.

Recomendo este livro sobretudo a quem queira mostrar esta terra a quem de fora chega, ou a quem deseje levá-la a outras paragens, tendo sempre em mente um Alentejo sem fim.

Classificação de cada conto (x/5*):

4,0 * Filhas de mulheres, mulheres são (Carlos Campaniço, com ilustração de Igor Nunes Silva)
4,0 * Uma história de amor (Dora Nunes Gago, com ilustração de Anita)
4,5 * Porquêra (Fernando Évora, com ilustração de João Brilhante)
3,5 * Micro contos da planície (Fernando Guerreiro, com ilustração de Pilar Puyana)
4,5 * A Parvoinha (Joaninha Duarte, com ilustração de Danuta Wojciechowska)
4,5 * A ilustre luta de leitores de pensamentos (José Teles Lacerda, com ilustração de Beatriz Lacerda)
4,0 * Até que a voz lhe soa (Luís Contente, com ilustração de Rita Cortez)
4,0 * Cante à Santinha (Luís Miguel Ricardo, com ilustração de Flávio Horta)
3,5 * Trovoada (Maria Ana Ameixa, com ilustração de Hugo Lucas)
4,5 * O bibliotecário (Napoleão Mira, com ilustração de Alexandra Prieto)
4,0 * Destilação (Olinda P. Gil, com ilustração de Paulo Monteiro)
4,0 * O tamanho da morte (Vítor Encarnação, com ilustração de Joaquim Rosa)

4,0/5* classificação final

Sobre a ASSESTA:
ASSESTA é Associação de Escritores do Alentejo. Foi pensada em meados de 2013 e constituída em setembro de 2015 (3 de setembro – Castro Verde). Na sua génese estiveram 15 escritores naturais do Alentejo ou com fortes vínculos à região empenhados em promover a literatura nas terras desafogadas de além Tejo. A Sede é na Casa da Cultura de Beja, mas o seu terreno de semeação é o Alentejo todo e as terras vizinhas. A ASSESTA apresenta-se como uma entidade mediadora entre criadores literários e comunidade consumidora de conteúdos literários.

Para mais informações:

sábado, 1 de outubro de 2016

Dia Mundial da Música

Hoje, 1 de Outubro, é Dia Mundial da Música. Num texto que gostei particularmente, intitulado "Música e equilíbrio dos elementos", presente em Breve Notas sobre Música [sobre o qual falei aqui], Gonçalo M. Tavares reflecte sobre a sua influência fisiológica e a sua capacidade de nos «alvoraçar». 


«Há muito se sabe: a música é um dos meios de mais rapidamente alvoraçar a fisiologia humana. Compete com a ligação amorosa e com o desejo.

Os antigos mestres chineses, por exemplo, dividiam as notas em meios-tons e faziam corresponder a cada meio-tom uma sensação psicológica.


A música é uma potência de reacções químicas; uma forma de contágio imediato. A tristeza ou a alegria da música passam para quem escuta.

No fundo, temos duas entidades, duas substâncias: a pessoa que escuta e a música. E o que acontece é uma espécie de osmose ao nível dessas grandes partículas que são os seres humanos. Há a passagem de elementos de um lado para o outro, na tentativa de se obter um equilíbrio do conjunto. E eis, então, que no fim da música triste quase parece que a música ficou menos triste e o ouvinte mais. O ouvinte e a música transformam-se num único elemento.

Absorve-se a música como se absorve algo que está no ar e não se vê. É, de facto, uma substância - e essa substância sonora pode ter uma carga triste, alegre, neutra, melancólica ou excitante. E são raras as substâncias do mundo capazes de provocar reacções tão distintas.»