quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

"História de um cão chamado Leal" de Luis Sepúlveda [Opinião]

Título: História de um cão chamado Leal
Título original: Historia de un perro llamado Leal
Autor: Luis Sepúlveda
Tradutora: Helena Pitta
Ilustrador: Paulo Galindro
Edição/reimpressão: Maio de 2016
Editora: Porto Editora
Temática: Romance 
N.º de páginas: 112
Para adquirir:


Sinopse:

Afmau, que significa «leal e fiel» na língua mapuche, a língua da Gente da Terra, é o nome ideal para um filhote de pastor-alemão que, sobrevivendo à fome e ao frio da montanha onde nasceu, assim demonstra a sua enorme lealdade à vida. Na companhia de Aukamañ, um rapazinho mapuche, Afmau aprende a conhecer o mundo que o rodeia e a respeitar a diversidade da natureza.

Porém, nem todos pensam da mesma forma: um bando de estrangeiros, com costumes estranhos aos da Gente da Terra, chega à aldeia onde Afmau vive, semeando o caos e o medo.

Condenado daí em diante a uma vida de servidão e crueldade, obedecendo a uma missão odiosa - perseguir e capturar todos os que se oponham ao bando de estrangeiros -, o destino acaba por proporcionar a Afmau uma derradeira oportunidade de redenção, numa fábula maravilhosa e naturalista onde Luis Sepúlveda reflete sobre o peso do passado e da memória, a força da amizade e da solidariedade e o respeito pela Terra e por todos quantos nela habitam.

Opinião:

Impressionante como em tão poucas páginas Luis Sepúlveda nos consegue contar uma história, curta, sem dúvida, mas tão plena de significado.

Esta história é contada da perspectiva de Afmau, o cão leal que, em cachorrinho, sobreviveu à fome e ao frio e foi salvo por nawel, o jaguar. É por ele levado para a povoação dos mapuche, a Gente da Terra, que o acolhe como uma dádiva. Aí conhece a família que o acolhe da qual Aukamañ, o seu companheiro, faz parte. 

 A Gente da Terra é um povo que vive em harmonia com a natureza, gratos pelo sustento que esta lhes dá e assim Afmau cresce feliz com Aukamañ. Porém, o desequilíbrio causado pelos wingkas, o bando de invasores, porá em causa esta felicidade e a sobrevivência de todos. 

São inúmeras as lições que retiramos desta história: o respeito pelas culturas próprias a cada povo, pela fauna e flora e pelos animais que domesticámos ao longo de séculos e que têm de ser respeitados pela forma como se nos dedicam; e a compreensão de que como a pobreza e a luta pela sobrevivência leva os homens a se embrutecerem e a esquecerem princípios essenciais de respeito para com o próximo.

A linguagem mapuche enriquece o texto, aparentemente tão simples, com um toque de autenticidade.

Devo acrescentar que Paulo Galindro está novamente de parabéns [recordem Uma Noite Caiu Uma Estrela] pelas maravilhosas ilustrações e design que enriquecem imenso esta obra.

Classificação: 4,0/5*

Sobre o autor:
Luis Sepúlveda nasceu em Ovalle, no Chile, em 1949. Da sua vasta obra (toda ela traduzida em Portugal), destacam-se os romances O Velho que Lia Romances de Amor e História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar. Mas Mundo do Fim do Mundo, Patagónia Express, Encontros de Amor num País em Guerra, Diário de um Killer Sentimental ou A Sombra do que Fomos (Prémio Primavera de Romance em 2009), por exemplo, conquistaram também, em todo o mundo, a admiração de milhões de leitores. Em 2016, recebeu o Prémio Eduardo Lourenço. Fonte: Porto Editora

Sobre o ilustrador: 
Nascido em 1970 e licenciado em arquitetura, Paulo Galindro é autor de diversos livros ilustrados, feitos em parceria com alguns dos mais importantes escritores nacionais e internacionais, como Luís Sepúlveda, António Mota, David Machado, entre outros. Viu a sua obra premiada por diversas vezes. Juntamente com Natalina Cóias criou o coletivo de ilustração Pintarriscos.  Fonte: BOOKOFFICE

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Prémio Livro do Ano Bertrand [Divulgação]


É já a partir de Fevereiro que o "Prémio Livro do Ano Bertrand, uma iniciativa da Livraria Bertrand, distingue, com periodicidade anual, uma obra literária em prosa – romance, conto ou novela". 

"Nesta 1.ª edição do Prémio Livro do Ano Bertrand, foram consideradas as obras publicadas no período de 15 de novembro de 2015 a 15 de novembro de 2016 no mercado português, tendo sido selecionadas 55 obras pela Livraria Bertrand com a colaboração dos jornalistas José Mário Silva e Anabela Mota Ribeiro, que selecionaram cinco títulos cada um" [todos os escolhidos aqui].

O universo de votantes compreenderá os livreiros Bertrand e os leitores Bertrand "(titulares de cartão Leitor Bertrand, cartão de fidelização gratuito que pode ser obtido em qualquer livraria Bertrand ou www.leitorbertrand.pt)". Assim, ser-lhes-á dada "a possibilidade de distinguirem a obra que mereceu a sua preferência no último ano nas referidas categorias editoriais".

"Em Janeiro de 2017 será divulgada uma lista com 10 obras finalistas e em Fevereiro anunciado o vencedor do prémio".

O objectivo do Prémio Livro do Ano Bertrand é "a ampla divulgação e um lugar de destaque nas livrarias Bertrand e em bertrand.pt ao longo de todo o ano de 2017" do livro vencedor.

domingo, 25 de dezembro de 2016

Música ao Domingo #26: Louis Armstrong "White Christmas"



I'm dreaming of a White Christmas
Just like the ones I used to know
Where the treetops glisten
and children listen
To hear sleigh bells in the snow.

I'm dreaming of a white Christmas
With every Christmas card I write
May your days be merry and bright
And may all your Christmases be white.

I'm dreaming of a white Christmas
With every Christmas card I write
May your days be merry and bright
And may all your Christmases be white.

Fonte: YouTube

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

"Kafka à Beira-mar" de Haruki Murakami [Opinião]

Título: Kafka à Beira-mar
Título original: Umibe no Kafka (traduzido do inglês Kafka on the Shore)
Autor: Haruki Murakami
Tradutor: Maria João Lourenço
Edição/reimpressão: 2009 (1.ª publicação em 2002)
Editora: Casa das Letras
Temática: Romance
N.º de páginas: 589
Para adquirir:


Sinopse:
Kafka à Beira-Mar narra as aventuras (e desventuras) de duas estranhas personagens, cujas vidas, correndo lado a lado ao longo do romance, acabarão por revelar-se repletas de enigmas e carregadas de mistério. São elas Kafka Tamura, que foge de casa aos 15 anos, perseguido pela sombra da negra profecia que um dia lhe foi lançada pelo pai, e de Nakata, um homem já idoso que nunca recupera de um estranho acidente de que foi vítima quando jovem, que tem dedicado boa parte da sua vida a uma causa - procurar gatos desaparecidos.

Neste romance os gatos conversam com pessoas, do céu cai peixe, um chulo faz-se acompanhar de uma prostituta que cita Hegel e uma floresta abriga soldados que não sabem o que é envelhecer desde os dias da Segunda Guerra Mundial. Assiste-se, ainda, a uma morte brutal, só que tanto a identidade da vítima como a do assassino permanecerão um mistério.

Trata-se, no caso, de uma clássica (e extravagante) história de demanda e, simultaneamente, de uma arrojada exploração de tabus, só possível graças ao enorme talento de um dos maiores contadores de histórias do nosso tempo.

Opinião:

Estreei-me com Haruki Murakami em 2008 com Sputnik, Meu Amor. Na altura atribui-lhe três estrelas e, apesar de ter apreciado alguns aspectos, não fiquei totalmente convencida. Fortemente terá contribuído para isso a minha jovem idade que, na altura, fazia de mim uma leitora inexperiente (o que não é sinónimo de agora ser muito diferente, mas acredito ter progredido).

Com Kafka à Beira-mar a história foi muito diferente. Encontramos nesta obra quatro personagens marcantes que, mesmo sem todas elas se cruzarem, têm uma influência definitiva nas existências de cada uma: Nakata, um simpático velhote cujo conhecimento e passado, após um acidente na juventude, é uma enorme folha em branco e na qual não consegue reescrever, perdendo capacidades cognitivas. Porém, adquire a curiosa capacidade de comunicar com os gatos. Kafka Tamura, um rapaz que foge de casa, com receio de cumprir a nefasta profecia edipiana do seu progenitor. Oshima, um jovem bibliotecário que, apesar de uma busca continua pelo seu lugar no mundo, tudo o que diz é de uma profundidade assombrosa, com as suas reflexões deliciosas. Saeki, uma misteriosa e encantadora mulher dominada pelo passado e por uma trágica história de amor, que a tornou incapaz de viver em pleno o presente. Surge ainda Hoshino, que ajuda Nakata na demanda da sua fantástica missão. 

Algumas das marcas de Murakami ao longo das suas obras surgem flagrantemente: os gatos, o jazz, uma mulher misteriosa, poderes sobrenaturais, entre praticamente tudo o que está mencionado na compilação desta imagem bastante curiosa:


( via A.V. CLUB )

Nunca poderei esquecer o serial killer de gatos ou a biblioteca Komura que, à beira-mar plantada, surge como um paraíso para qualquer leitor. Com uma linguagem simples, contudo poética e envolvente, surgem temas como a velhice, o incesto, a construção da personalidade, todos rodeados de uma aura de fantasia e ocorrências paranormais, de tal forma coerentes com a narrativa que não parecem mais do que consequências naturais da mesma.

Ter demorado bastante com esta leitura levou-me a absorvê-la em profundidade, em aproveitar cada momento para saboreá-la. No fim, não é de todo uma história em que todas as pontas soltas fiquem unidas. O surrealismo que lhe é inerente assim o dita, porém de outra forma não me faria sentido.

Classificação: 5,0/5*

Sobre o autor:
Haruki Murakami, de quem a Casa das Letras editou Kafka à Beira-Mar (com mais de 15 mil exemplares vendidos) e Sputnik, Meu Amor, é um dos escritores japoneses contemporâneos mais divulgados em todo o mundo sendo, simultaneamente, aplaudido pela crítica, que o considera um dos «grandes romancistas vivos» (The Guardian) e a «mais peculiar e sedutora voz da moderna ficção» (Los Angeles Times).

Nasceu em Quioto, em 1949. Estudou teatro grego antes de gerir um bar de jazz em Tóquio, entre 1974 e 1981. Além de Sputnik, Meu Amor, Kafka à Beira-Mar, Dança, Dança, Dança e Em Busca do Carneiro Selvagem, que recebeu o Prémio Noma destinado a novos escritores, Murakami é ainda autor, entre outros, de O Impiedoso País das Maravilhas e o Fim do Mundo (distinguido com o prestigiado Prémio Tanizaki) e, mais recentemente, de Sono, a sua terceira colectânea de contos, distinguida com o Frank O'Connor International Short Story Award e a trilogia 1Q84Fonte: WOOK [adaptado] Fotografia: Tsunagu Japan 

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Neste Natal... ofereçam-se livros!

Muitos e bons foram os lançamentos durante o ano corrente. Porém, sendo logisticamente impossível mencioná-los a todos, segue-se uma selecção reduzida dos que me suscitaram mais interesse e que poderão surgir na vossa lista de compras para as prendas de Natal.

( via GIPHY )

A acção de Norte e Sul decorre em meados do séc. XIX, narrando o percurso da protagonista desde o ambiente tranquilo mas decadente de uma Inglaterra sulista, até um norte vigoroso mas turbulento.

Neste romance, Elizabeth Gaskell mostra como a vida pessoal e pública se entrelaçavam numa sociedade recentemente industrializada.








A família Plumb destaca-se pela sua espetacular disfuncionalidade.

Há anos que os quatro irmãos Plumb desesperam por causa da herança. Em testamento, o pai ditou que o dinheiro fosse distribuído apenas quando a filha mais nova celebrasse 40 anos. O seu objetivo era salutar: incentivá-los a lutarem pelos seus sonhos. Mas o plano saiu gorado, pois a poucos meses do aniversário, eles estão tão endividados que só a fortuna familiar poderá salvá-los.

(...)

E quando estão prestes a deitar a mão ao dinheiro, Leo entra seu Porsche acompanhado por uma jovem empregada de mesa. O que acontece a seguir vai ter consequências devastadoras… e um preço exorbitante que só a herança poderá pagar.

Privados daquilo que os definiu perante si próprios e os outros, o que será dos irmãos Plumb?

A solução para todos os males parece estar nas mãos do próprio Leo. Estará ele disposto a sacrificar-se? Ou terão todos de se adaptar a novas (e infernais) circunstâncias? Unidos pela primeira vez, os irmãos revisitam velhos rancores, enfrentam novas verdades, e (finalmente!) refletem sobre as escolhas que fizeram na vida.


Ao fim de trinta e sete anos, Murakami publica os seus dois primeiros romances no Ocidente.

Durante a primavera de 1978, o jovem Haruki Murakami, quando chegava a casa já tarde, depois de mais um dia de trabalho no seu clube de jazz, começou a sentar-se todas as noites à mesa da cozinha, a escrever. O resultado foram duas novelas marcantes – Ouve a Canção do Vento e Flíper, 1973 – que lançaram a carreira de um dos mais aclamados autores da literatura mundial contemporânea.

Estes dois pequenos romances impressivos, em tom de fábula, que por vezes roçam o surreal pelos laivos de ficção científica que os povoam, abordam o quotidiano de dois jovens – o narrador cujo nome nunca chegamos a conhecer e o seu amigo Rato –, perpassado por solidão, obsessão e erotismo. Apresentando uma galeria pela qual desfilam uma rapariga com quatro dedos na mão esquerda, um escritor inventado, o dono de um bar que ouve as confissões de todos os que nele buscam refúgio, um par de gémeas e... gatos, estes dois textos contêm o embrião de todas as características que singularizaram e atravessam todas as obras-primas de Murakami, incluindo alguns dos seus mais recentes livros.


Os seus alunos assassinaram a sua filha. Esta é a sua vingança.

Os seus alunos assassinaram a sua filha. Ela não quer justiça, só vingança.

Confissões é um romance narrado a várias vozes, magistralmente construído onde o suspense é mantido até o fim, quando as diferentes peças encaixam. Mas também é uma reflexão sobre o sistema educativo, os laços familiares, o comportamento humano, o amor e a vingança.





Num Japão antigo o artesão Itaro e o oleiro Saburo vivem uma vizinhança inimiga que, em avanços e recuos, lhes muda as prioridades e, sobretudo, a capacidade de se manterem boa gente.

A inimizade, contudo, é coisa pequena diante da miséria comum e do destino.

Conscientes da exuberância da natureza e da falha da sorte, o homem que faz leques e o homem que faz taças medem a sensatez e, sobretudo, os modos incondicionais de amarem suas distintas mulheres.

Valter Hugo Mãe prossegue a sua poética ímpar. Uma humaníssima visão do mundo.


Para todos os que se apaixonaram por «A Sombra do Vento», que se deleitaram com «O Jogo do Anjo» e se emocionaram com «O Prisioneiro do Céu», chega no dia 23 de Novembro o aguardado desfecho da série O Cemitério dos Livros Esquecidos, «O LABIRINTO DOS ESPÍRITOS», de Carlos Ruiz Zafón. O lançamento é feito em simultâneo em Espanha e na América Latina. Catapultados pela crítica internacional à categoria de clássico contemporâneo, os romances da série O Cemitério dos Livros Esquecidos, converteram-se num dos universos literários mais apaixonantes deste século e Carlos Ruiz Zafón no escritor espanhol mais lido em todo o mundo, depois de Cervantes.


Em plena Guerra Fria, a CIA engendrou um plano, baptizado Jazz Ambassadors, para cativar a juventude de Leste para a causa americana. É neste pano de fundo que conhecemos Erik Gould, pianista exímio, apaixonado, capaz de visualizar sons e de pintar retratos nas teclas do piano. A música está-lhe tão entranhada no corpo como o amor pela única mulher da sua vida, que desapareceu de um dia para o outro. Será o filho de ambos, Tristan, cansado de procurar a mãe entre as páginas de um atlas, que encontrará dentro de uma caixa de sapatos um caminho para recuperar a alegria.




Os textos e desenhos que aqui se publicam são, na sua maioria, inéditos, provenientes de álbuns que estiveram mais de cem anos escondidos do público. Mesmo nos poucos casos em que os textos e as imagens já se encontravam publicados, nunca foram coligidos numa edição que restituísse a sua forma original. Estes álbuns não só nos revelam uma faceta quase desconhecida de Eça de Queiroz, a de desenhador, como nos permitem uma visão única do círculo familiar e de amigos em que o grande escritor viveu. Desde autocaricaturas a poemas escritos ao desafio, passando por retratos de perfil, partituras e até o desenho de um diabo nu, somos levados aos serões íntimos que Eça de Queiroz partilhava com os seus.


Uma combinação fascinante de beleza e horror.

Ela era absolutamente normal. Não era bonita, mas também não era feia. Fazia as coisas sem entusiasmo de maior, mas também nunca reclamava. Deixava o marido viver a sua vida sem sobressaltos, como ele sempre gostara. Até ao dia em que teve um sonho terrível e decidiu tornar-se vegetariana. E esse seu ato de renúncia à carne - que, a princípio, ninguém aceitou ou compreendeu - acabou por desencadear reações extremadas da parte da sua família. Tão extremadas que mudaram radicalmente a vida a vários dos seus membros - o marido, o cunhado, a irmã e, claro, ela própria, que acabou internada numa instituição para doentes mentais. A violência do sonho aliada à violência do real só tornou as coisas piores; e então, além de querer ser vegetariana, ela quis ser puramente vegetal e transformar-se numa árvore. Talvez uma árvore sofra menos do que um ser humano.

Este é um livro admirável sobre sexo e violência - erótico, comovente, incrivelmente corajoso e provocador, original e poético. Segundo Ian McEwan, «um livro sobre loucura e sexo, que merece todo o sucesso que alcançou». Na Coreia do Sul, depois do anúncio do Man Booker International Prize, A Vegetariana vendeu mais de 600 000 exemplares. Aplaudido em todos os países onde está traduzido, é um best-seller internacional.


Um Cântico de Natal (1843) é talvez o mais dickensiano dos contos. É que só Charles Dickens poderia, a propósito do Natal, criar personagens como Scrooge, o pequeno Tim, e os três Espíritos Natalícios, Passado, Presente e Futuro, e acrescentar-lhes o Fantasma de Marley.

Este livro tem passado de geração em geração, acompanhado do desejo do autor de que «assombre as casas dos leitores de forma agradável, e que ninguém deseje apaziguá-lo».

«O que faz o supremo encanto de La Fontaine como fabulista, o que constitui a sua imensa superioridade sobre todos os que antes e depois dele trataram este mesmo género, não é decerto a originalidade, porque raríssimas serão as fábulas cuja ideia ele não houvesse encontrado em Esopo e em Fedro, nos fabulários da Idade Média, ou nos contos italianos; não é também a beleza excecional do estilo, nem a pureza da metrificação. O que constitui o seu encanto supremo é a vida potente que ele sabe dar a todos esses animais que se movem no imenso tablado da natureza, que falam a linguagem que ele lhes presta, obedecendo a paixões que ele lhes atribui.»


O Mundo de Sofia é um desses inexplicáveis sucessos que têm gerado uma contagiante adesão por parte dos leitores, entre os quais se contam muitos jovens. Mas não só. Tornou-se de imediato um bestseller em muitos países: está traduzido em mais de cinquenta línguas. Esta intrigante aventura filosófica, que põe em cena um professor de filosofia e uma jovem de catorze anos, percorre a história do pensamento ocidental, sem excluir alguns dos seus mitos e lendas e fazendo breves incursões pelas filosofias orientais. O tema central está estreitamente ligado à construção do universo romanesco que se duplica misteriosamente pela intervenção de outros dois personagens, apresentando-se ele próprio como um enigma. As misteriosas interrogações dirigidas a Sofia: «Quem és tu?» e «De onde vem o mundo?» são aqui emblemáticas da atitude de espanto de alguém, como Gaarder, para quem a existência é um coelho branco que o ilusionista tira ludicamente da cartola.


Harry August não é um homem normal. Porque os homens normais, quando a morte chega, não regressam novamente ao dia em que nasceram, para voltarem a viver a mesma vida mas mantendo todo o conhecimento das vidas anteriores. Não interessa que feitos alcança, decisões toma ou erros comete, Harry já sabe que quando morrer irá tudo voltar ao início. Mas se este acumular de experiências e conhecimento podem fazer dele um quase semideus, algo continua a atormentar Harry: qual a origem do seu dom e será que há mais pessoas como ele?

A resposta para ambas as perguntas parece chegar aquando da sua décima primeira morte, com a visita de uma menina que lhe traz uma mensagem: o fim do mundo aproxima-se.

Esta é a história do que Harry faz a seguir, do que fez anteriormente, e ainda de como tenta salvar um passado que não consegue mudar e um futuro que não pode deixar que aconteça.

domingo, 11 de dezembro de 2016

"Alice do outro lado do espelho" de Lewis Carroll

Título: Alice do outro lado do espelho
Título original: Alice's Adventures through the Looking Glass
Autor: Lewis Carroll
Tradutora: Maria Filomena Duarte
Edição/reimpressão: 1988 (1.ª publicação em 1872)
Editora: Círculo de Leitores
Temática: Literatura juvenil
N.º de páginas: 160
Para adquirir:


Sinopse:

Plano Nacional de Leitura
Livro recomendado para o 3.º ciclo, destinado a leitura autónoma.

Alice do outro lado do espelho (1872) narra o regresso da jovem ao país encantado da sua primeira aventura, onde desta vez encontrará personagens como Humpty Dumpty, Tweedledee e Tweedledum. Num quente mês de Março, Alice brinca com as suas gatas quando se pergunta como será o mundo do outro lado do espelho. Para sua grande surpresa, descobre que tem o poder de atravessar um espelho e descobre um livro misterioso que só pode ser lido pelo seu reflexo. Quando atravessa o jardim das flores vivas, Alice encontra a Rainha Preta e depara-se com um grandioso jogo de xadrez em que ela terá de participar.

Opinião:

Um dos pioneiros da literatura infantil, Lewis Carroll, após as aventuras nos país das maravilhas, leva Alice a entrar noutra dimensão através do espelho presente na sua sala, onde tudo segue uma lógica alternativa à nossa. O mundo que encontra está organizado como se de um tabuleiro de xadrez se tratasse, contrariamente ao antecessor, Alice no país das maravilhas, em que os naipes de cartas surgiam constantemente. O caminho percorrido levará Alice a participar no jogo e à possibilidade de vir a ser a rainha.   

Sem conseguir esquecer a história de Alice no país das maravilhas, senti que esta leitura me levou para um mundo ainda mais caótico, onde se encontra o total nonsense, numa verdadeira imersão no mais profundo absurdo.

Aquando da recente adaptação cinematográfica, a história teve de ser moldada de modo a que o argumento fosse transponível para filme. Ora, quem já leu o livro compreende perfeitamente este facto: o fio narrativo está longe de ser linear e vários são os episódios em que, o que sobra, é um enorme ponto de interrogação.

Entre Alice no país das maravilhas e Alice do outro lado do espelho, é no primeiro que encontramos as personagens mais icónicas: o Chapeleiro Maluco, o Coelho Branco ou o Gato de Chesire, por exemplo, enquanto que no segundo surgem Humpty Dumpty e Tweedleedee e Tweedledum [em baixo nas ilustrações de John Tenniel], entre inúmeras outras de menor relevo.

É um livro curto, mas que requer a entrega do leitor, para descodificar e penetrar onde o real e o sonho se confundem e a sátira dá, certamente, o ar da sua graça.

Classificação: 4,0/5*

Sobre o autor:

Lewis Carroll (1832-1898), pseudónimo de Charles Lutwidge Dodgson, distinguiu-se como escritor, matemático e fotógrafo. Autor de contos e poemas como Jabberwocky, obteve a consagração com Alice no País das Maravilhas e Alice do Outro Lado do Espelho. Fonte: WOOK

domingo, 4 de dezembro de 2016

Música ao Domingo #25: The Strokes "You Only Live Once"


The Strokes' official music video for 'You Only Live Once'.

Some people think they're always right
Others are quiet and uptight
Others they seem so very nice nice nice nice (oh-ho)
Inside they might feel sad and wrong (oh no)

Twenty-nine different attributes
Only seven that you like
Twenty ways to see the world (oh-ho)
Twenty ways to start a fight (oh-ho)

Oh don't don't don't get up
I can't see the sunshine
I'll be waiting for you, baby
Cause I'm through
Sit me down
Shut me up
I'll calm down
And I'll get along with you

Oh men don't notice what they got
Women think of that a lot
One thousand ways to please your man (oh-ho)
Not even one requires a plan (I know)

Countless odd religions, too
It doesn't matter which you choose (oh no)
One stubborn way to turn your back (oh-ho)
This I've tried and now refuse (oh-ho)

Oh don't don't don't get up
I can't see the sunshine
I'll be waiting for you, baby
Cause I'm through
Sit me down
Shut me up
I'll calm down
And I'll get along with you
Alright

Shut me up
Shut me up
And I'll get along with you


quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Mil e uma Noites Mil e uma Histórias - HISTÓRIAS DE ÁGUA NA BOCA com Antonella Giraldi


Numa noite fria e despovoada, as palavras de Antonella Giraldi foram o lume que aqueceu os seus ouvintes, em mais uma sessão de Mil e uma Noites Mil e uma Histórias.

De origem italiana, esta contadora que, humildemente, nos confessou ser ainda "pequenina", revelou completo domínio dos tempos, essencial para o efeito surpresa, para potenciar a curiosidade e o suspense. Narrou-nos histórias do avô e do autor Italo Calvino, evocando a sua Itália, igualmente presente no seu sotaque e nas músicas que entoou. 

Fosse num registo mais cómico, falando sobre galinhas leiteiras, ou num tom mais dramático, abordando o fascismo e a morte, poderei afirmar que o papel da narradora foi devidamente cumprido: prender a atenção, tocar e incentivar à reflexão do seu público.

Espero ouvi-la novamente, quiçá nas Palavras Andarilhas, uma vez que, tal como foi dito, histórias contadas em contextos diversos transmitem diferentes energias.