terça-feira, 20 de junho de 2017

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quarta-feira, 14 de junho de 2017

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domingo, 11 de junho de 2017

Música ao Domingo #37: Arcade Fire "Everything Now"



Directed by: The Sacred Egg

I'm in the black again
Can't make it back again
We can just pretend
We're making home again
From everything now

Every inch of sky's got a star
Every inch of skin's got a scar
I guess you've got everything now

Every inch of space in your head
Is filled up with the things that you read
I guess you've got everything now
And every film that you've ever seen
Fills the spaces up in your dreams
That reminds me (Everything now, everything now)

Every inch of road's got a sign
And every boy uses the same line
I pledge allegiance to everything now

Every song that I've ever heard
Is playing at the same time, it's absurd
It reminds me, we've got everything now

We turn the speakers up till they break
'Cause every time you smile it's a fake!
Stop pretending, you've got…
Everything now! (I need it)
Everything now! (I want it)
Everything now! (Can't live without)
Everything now! (Can't live without)
Everything now!
Everything now!

Every ancient road's got a town
Daddy, how come you're never around?
I miss you, like everything now

Mama, leave the food on the stove
Leave your car in the middle of the road
This happy family with everything now

We turn the speakers up till they break
'Cause every time you smile it's a fake!
Stop pretending, you've got
Everything now! (I need it)
Everything now! (I want it)
Everything now! (I can't live without)
Everything now! (I can't live without)
Everything now!
'Til every room in my house
Is filled with shit I couldn't live without
(I need it)
(I can't live without)

Everything now! Everything now!

La La La La La La La
La La La La La La La
La La La La La La La

La La La La La La La
La La La La La La La
La La La La La La La

Stop pretending you've got
Everything now! (I need it)
Everything now! (I want it)
Everything now! (I can't live without)
Everything now! (I can't live without)
Everything now! (I can't live)

And every room in my house
is filled with shit I couldn't live without
I mean it
I can't live without
I can't live
Every inch of space in my heart
Is filled with something I'll never star

The ashes of everything now
And then you're black again
Can't make it back again

From everything now

Fonte: Vagalume

quarta-feira, 7 de junho de 2017

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segunda-feira, 5 de junho de 2017

"O Meu Irmão" de Afonso Reis Cabral [Opinião]

Título: O Meu Irmão
Autor: Afonso Reis Cabral
Edição/reimpressão: 2014
Editora: Leya
Temática: Romance
N.º de páginas: 368
Para adquirir:


Sinopse:

A relação entre dois irmãos, um deles com necessidades especiais, que têm de aprender a viver juntos.

Com a morte dos pais, é preciso decidir com quem fica Miguel, o filho de 40 anos que nasceu com síndrome de Down. É então que o irmão – um professor universitário divorciado e misantropo – surpreende (e até certo ponto alivia) a família, chamando a si a grande responsabilidade. Tem apenas mais um ano do que Miguel, e a recordação do afecto e da cumplicidade que ambos partilharam na infância leva-o a acreditar que a nova situação acabará por resgatá-lo da aridez em que se transformou a sua vida e redimi-lo da culpa por tantos anos de afastamento. Porém, a chegada de Miguel traz problemas inesperados – e o maior de todos chama-se Luciana.
Numa casa de família, situada numa aldeia isolada do interior de Portugal, o leitor assistirá à rememoração da vida em comum destes dois irmãos, incluindo o estranho episódio que ameaçou de forma dramática o seu relacionamento.

O Meu Irmão, vencedor do Prémio LeYa 2014 por unanimidade, é um romance notável e de grande maturidade literária que, tratando o tema sensível da deficiência, nunca cede ao sentimentalismo, oferecendo-nos um retrato social objectivo e muitas vezes até impiedoso.

Opinião:

Os Prémios LeYa têm por hábito incitar-me a curiosidade e, assim que possível, entram na minha lista de leituras. O Meu Irmão não foi excepção e que brutalidade se revelou.

Na primeira pessoa, um narrador alterna o seu discurso entre o passado e o presente. Assim conhecemos a infância, a adolescência e a idade adulta de dois irmãos, um deles chamado Miguel e portador de síndrome de Down, num fio narrativo que se estende até à actualidade, em que os encontramos isolados no Tojal, na casa de campo herdada dos pais. Os únicos vizinhos serão uma família de pai e mãe idosos e um filho doente e perturbado. 

Na sua infância e adolescência, o narrador parece ter uma rivalidade saudável com Miguel. Porém, momentos há em que o culpa pela atenção desviada dos pais e, apesar da sua forte ligação, há uma inveja pelo seu Éden, o paraíso perdido, e pelo seu papel de anjo ferido na Terra, incluindo o que isso implica: a devoção dos pais - e do mundo - que nada lhe exigem e tudo lhe perdoam.

Com a deslocação para Lisboa, para estudar e trabalhar, este narrador acaba por se afastar da família por cerca de vinte anos, não estabelecendo mais relações sólidas e duradouras, com ressalva de um casamento, por mera solidão e que redunda em rejeição.

O seu retorno, após a morte dos pais, leva-o a assumir-se como tutor de Miguel e obriga-o a estabelecer uma relação de exclusividade. Define o que para ele acha melhor, independentemente das suas mais ínfimas vontades.

Do possuidor desta mente perturbada nunca conheceremos o nome: a criação de empatia para com ele não se concebe, já que é, além de perturbado, frio e alienado. Ironicamente, o único ser por quem cria uma necessidade de afecto é o seu irmão Miguel, e que, pela sua condicionante, não lhe consegue corresponder na medida do desejado. Chega a acusar o irmão de um egocentrismo exacerbado, naquilo que não passa de um espelhar de si próprio.

A exploração deste tema, a deficiência, é crua e sem rodeios. Numa prosa irrepreensível, passagens relembrarei e não esquecerei tão cedo. E é de realçar que não é qualquer um que se encontra preparado para lidar com tal condição, como ultimamente se vem notando com algumas notícias de maus tratos.

Pela introspecção que me causou, bastante mais poderia dizer. Cinjo-me a afirmar que é uma obra de estreia invejável, uma reflexão sobre a condição do homem perante a deficiência, a velhice, a doença e o seu impacto em todos nós.



Classificação: 4,5/5*

Sobre o autor:
Afonso Reis Cabral nasceu em Lisboa em 1990 e cresceu no Porto. É o quinto de seis irmãos. Escreve desde os 9 anos. Em 2005 publicou o livro Condensação, no qual reuniu poemas escritos até aos 15 anos. Publicou textos em diversos periódicos. Em 2008 ficou em 8.º lugar no 7th European Student Competition in Ancient Greek Language and Literature, entre mais de 3500 concorrentes de 551 escolas europeias e mexicanas. Foi o único português a concorrer.

É licenciado em Estudos Portugueses e Lusófonos pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, tendo recebido o Prémio Mérito e Excelência atribuído ao melhor aluno do curso. Na mesma instituição fez o mestrado em Estudos Portugueses com a dissertação A Orquestra Oculta - Os Estudos da Consciência e a Literatura. Foi bolseiro no Centro de História da Cultura (FCSH-UNL), onde desenvolveu investigação sobre a editora Romano Torres.

Sempre se imaginou a trabalhar na área editorial. Trabalhou como revisor em regime de free-lance e desempenha actualmente as funções de editor. Fonte: Leya