sábado, 11 de março de 2017

"Com o Riso É que M'Enganas": conferência com Luís Afonso e Bruno Ferreira


No passado dia 9, tive a possibilidade de assistir a uma conferência sobre o tema o Humor na Comunicação, organizada com o objectivo de abordar «“O humor como uma arma poderosa de interação e que torna qualquer discurso mais cativante e positivo, afinal fazer rir estreita ligações e propicia a criatividade.”

Os oradores convidados irão partilhar a sua experiência onde o humor sempre teve um papel importante mostrando através de histórias e exemplos, que o sentido de humor também se aprende e se desenvolve ao longo da vida, contribuindo para uma análise crítica de temas pertinentes e fraturantes da nossa sociedade.»

Com a moderação de Paulo Barrigajornalista e director do jornal Diário do Alentejo, Bruno Ferreira, humorista e imitador, e Luís Afonso, cartoonista, foram os oradores convidados.



Perante a pergunta se o humor é também um fogo que arde sem se ver (a tender para o filosófico), Bruno Ferreira falou sobre a dificuldade de definir o humor, considerando a efemeridade o seu maior entrave. Recomendou o livro de Ricardo Araújo Pereira, A Doença, o Sofrimento e a Morte Entram num Bar, em que o autor aborda a escrita de humor e os diversos recursos humorísticos passíveis de serem utilizados.

Para Luís Afonso, enquanto cartoornista, o processo criativo pode ser doloroso: caso não seja imediato, torna-se inevitavelmente prolongado e esforçado. Além disso, é uma prova cega, ou seja, sendo maioritariamente o seu primeiro e único público antes da publicação, não obtém uma reacção imediata por parte dos destinatários, o que o leva a fazer e refazer o seu trabalho em diversas ocasiões.

Os limites do humor são, segundo Bruno Ferreira, cada vez menores. Porém, tal adveio de um caminho percorrido de longos anos por diferentes humoristas que afastaram tais barreiras. Considera necessário o desprendimento para um criticismo eficaz e, sim, o humor está na moda porque bebe do quotidiano, constituindo a política e o futebol alvos preferenciais, com figuras como Gilberto Madaíl ou Jorge Jesus, que não apreciaram desde logo as suas caricaturas...

Relativamente ao risco do humor opinativo e à transmissão de informação distorcida, Luís Afonso, enquanto jornalista com respeito pelo seu código deontológico, foi levado a alterar o seu método de trabalho, já que o surgimento do meio digital trouxe novas fontes informativas. Para ele, a matéria-prima deve ser respeitada e confirmada a veracidade informação, o que, por vezes, o conduz a uma encruzilhada: o tempo que decorre entre esta confirmação e a sua utilização poderá causar a desactualização, pelo menos em termos humorísticos. Dado que colabora com vários jornais (e com A Mosca para a RTP), admite que, ocasionalmente, reutiliza o mesmo tema, variando consoante o âmbito das publicações.

Já para o nosso imitador, existe um acordo tácito entre quem cria e quem consome o humor: sabe-se que estará implícita, ainda que nem sempre de forma explícita, uma opinião. Além do mais, a caricatura consiste no aproveitamento e exagero de determinadas características, pelo que nem sempre é totalmente verídica.

Tal como noutra áreas, no humor existem igualmente modas: encontramo-nos no período áureo de figuras como Ricardo Araújo Pereira e Bruno Nogueira, mas o exemplo mais visível da oscilação é o de Herman José. Existe actualmente espaço para vários tipos de humor, incluindo o negro ou o inteligente e, mesmo neste, a piada parva pode surgir. Quanto a estarmos perante uma overdose de humor nos meios de comunicação, a sua presença só se mantém dependendo do feedback e, claro, da moda.

E se rir dá saúde e faz bem, estariam os nossos oradores conscientes de que estão a dar saúde? Entre nos dizer que rir provoca a libertação de endorfinas, o aumento do fluxo sanguíneo, o treino dos abdominais e o facto de 1 minuto de riso ser equivalente a 45 minutos de relaxamento, entre outros benefícios inegáveis, Bruno Ferreira não deixou margem para dúvidas.

Resta o agradecimento por uma tarde bem passada e pelo privilégio de ouvir uma nova versão de Taras e Manias de Marco Paulo, desta feita interpretada por Passos Coelho. 😂

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