segunda-feira, 13 de março de 2017

"O Jogo do Anjo" de Carlos Ruiz Zafón [Opinião]

Título: O Jogo do Anjo
Título original: El Juego del Angel
Autor: Carlos Ruiz Zafón
Tradutora: Isabel Fraga
Edição/reimpressão: 2008
Editora: Publicações Dom Quixote
Temática: Romance
N.º de páginas: 568
Para adquirir (a edição mais recente):


Sinopse:

«Na Barcelona turbulenta dos anos 20, um jovem escritor obcecado com um amor impossível recebe de um misterioso editor a proposta para escrever um livro como nunca existiu a troco de uma fortuna e, talvez, muito mais. 

Com deslumbrante estilo e impecável precisão narrativa, o autor de A Sombra do Vento transporta-nos de novo para a Barcelona do Cemitério dos Livros Esquecidos, para nos oferecer uma aventura de intriga, romance e tragédia, através de um labirinto de segredos onde o fascínio pelos livros, a paixão e a amizade se conjugam num relato magistral.»

Opinião:

Após a releitura de A Sombra do Vento, um livro que devorei num ápice, tanto na primeira como na segunda vez, e cuja história continua a fazer parte das minhas favoritas de sempre, confesso que as minhas expectativas para com O Jogo do Anjo estavam nos píncaros. E foi este o estado de espírito que me acompanhou durante praticamente toda a releitura, apesar de salpicada de ligeiras lembranças.

Desde o início que me voltei a sentir deveras fascinada por este ambiente gótico da Barcelona de Zafón que, ao contrário do antecessor, de certo modo mais luminoso, se revelou repleto de uma beleza doentia de trevas, sangue e dor. 


Esta visão é-nos transmitida por David Martín, um escritor de thrillers policiais, sempre atraído pelo que de mais misterioso e oculto existe na cidade de Barcelona. Sendo contratado pelo enigmático patrão, para que produza uma grande obra de intenções e fins duvidosos, David vê-se, tal como nos seus livros, envolvido numa série de crimes e estranhos acontecimentos que o levarão a colocar em causa a sua própria sanidade.

Em comparação com A Sombra do Vento, O Jogo do Anjo quase que perde a sua componente de crítica e retrato histórico-social, não havendo uma personagem tão acutilante como Fermín. Apesar disso, gostei das personalidades contrastantes das personagens femininas, Cristina e Isabella, com pontos com os quais me identifiquei: a primeira, atormentada por uma alma problemática, que não se mostra capaz de lidar com as suas escolhas; a segunda, forte e inspiradora, mas que, tão sensível no seu íntimo, se preocupa mais com os outros.

Fiquei agradavelmente surpreendida pela presença da família Sempere e do Cemitério dos Livros Esquecidos, que tanto tinha apreciado no primeiro livro, conhecendo o avô e a mãe de Daniel, já que, cronologicamente, esta narrativa antecede a de A Sombra do Vento.


Contrariamente à minha primeira leitura, em que julguei o final baço e pouco esclarecedor o seu maior ponto fraco, desta vez não me surgiu esse desagrado. Provavelmente captei melhor alguns pontos ao longo da história que lhe deram sentido.

Quanto a recomendações: se já leram A Sombra do Vento e esperam encontrar exactamente a mesma fórmula, podem sair desiludidos. Porém, O Jogo do Anjo é, sem sombra para dúvidas, da mesma lavra de Carlos Ruiz Zafón e, se gostam de um thriller pleno de suspense, mistério e bastante sobrenatural, esta será uma aposta ganha. 

Uma releitura realizada no âmbito do: 


Classificação: 4,5/5*


Sobre o autor:

Carlos Ruiz Zafón nasceu em Barcelona em 1964. Inicia a sua carreira literária em 1993 com El Príncipe de la Niebla (Prémio Edebé), a que se seguem El Palacio de la Medianoche, Las Luces de Septiembre (reunidos no volume La Trilogía de la Niebla) e Marina. Em 2001 publica A Sombra do Vento, que rapidamente se transforma num fenómeno literário internacional. Com O Jogo de Anjo (2008), O Prisioneiro do Céu (2011) e O Labirinto dos Espíritos (2016) regressa ao Cemitério dos Livros Esquecidos. As suas obras foram traduzidas em mais de quarenta línguas e conquistaram numerosos prémios e milhões de leitores nos cinco continentes. Actualmente, Carlos Ruiz Zafón reside em Los Angeles, onde trabalha nos seus romances, e colabora habitualmente com La Vanguardia e El País. Fonte: WOOK [adaptado]

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