quarta-feira, 8 de março de 2017

"Os Olhos de Allan Poe" de Louis Bayard [Opinião]

Título: Os Olhos de Allan Poe
Título original: The Pale Blue Eye
Autor: Louis Bayard
Tradutor: José Remelhe
Edição/reimpressão: 2011
Editora: Edições Saída de Emergência
Temática: Thriller histórico
N.º de páginas: 416

Sinopse:

Corre o ano de 1830. Na Academia de West Point, a tranquilidade de um final de tarde de Outubro é perturbada pela descoberta do corpo de um jovem cadete enforcado junto ao recinto da formatura. Não é a primeira vez que se verifica um aparente suicídio num regime ríspido como o de West Point, mas, na manhã seguinte, constata-se um abominável acto ainda mais grave. Alguém assaltou o quarto onde o cadáver repousava e levou o coração. Desesperada para evitar publicidade negativa, a academia contrata os serviços de Augustus Landor, ex-detective de renome. Viúvo, e atormentado no seu isolamento, Landor decide aceitar o caso. Nos interrogatórios iniciais, descobre um caprichoso e curioso jovem cadete com propensão para a bebida e com um passado sombrio. O nome desse cadete? Edgar Allan Poe. Impressionado pelos astutos poderes de observação de Poe, Landor está convencido de que o poeta lhe pode ser útil - caso consiga permanecer sóbrio o tempo suficiente para colocar em acção os seus perspicazes poderes de raciocínio. Trabalhando em estrita colaboração, os dois homens desenvolvem um relacionamento surpreendentemente profundo à medida que a investigação os conduz a um oculto mundo de sociedades secretas, rituais de sacrifício e mais cadáveres. Porém, os macabros homicídios e o passado secreto de Landor ameaçam afastar os dois e terminar com a sua recente amizade.

Opinião:

Em Os Olhos de Allan Poe, a história tem como pano de fundo a academia militar de West Point, pelo ano de 1830. Neste local ocorre uma morte peculiar, assumindo contornos tenebrosos quando o cadáver desaparece e é posteriormente encontrado com o coração extraído.

Para a investigação deste caso é destacado Landor, um investigador reformado, residente nas redondezas desde há alguns anos, que terá como objectivo descobrir os culpados e salvaguardar o bom nome desta instituição militar. E quem, se não Edgar Allan Poe, poderia ser o seu escolhido para ajudante nestas investigações? Todos poderão ser o criminoso: entre oficiais, funcionários e cadetes, há desconfianças de sobra.

Os thrillers históricos, ao invés de contemporâneos, têm despertado o meu interesse e a presença deste Allan Poe, como personagem deste enredo, ainda mais o cativou. Tendo em conta a minha leitura de Todos os Contos, curiosa fiquei com este título e possíveis informações que desta leitura pudesse extrair.

O autor, aproveitando o desconhecimento de vários aspectos da vida de Allan Poe, reclamou-o como uma das suas personagens. Desta forma, surge nesta narrativa como um jovem na casa dos vinte, culto, eloquente, sagaz e imaginativo. Apresenta, porém, uma faceta perturbada devido à morte da mãe na infância, que continua a venerar, e pela relação conflituosa com o pai adoptivo. Integra a academia de West Point após passagens atribuladas pelas vidas universitárias e militar, com o estigma de problemático e errático. Nesta fase, a sua produção literária tende para a poesia e a sua imensa cultura, evidenciada pelo seu discurso, encontra-se totalmente deslocada no meio académico de West Point, sendo, ao invés de valorizado, marginalizado pelos colegas.

Acompanharemos Landor e Poe nas suas investigações pouco ortodoxas, num crescendo de mistério e suspense, perfeitamente levado a cabo pelo autor Louis Bayard. Os culpados e a conclusão parecem evidentes, todavia, de que forma nos enganamos, e este final não desilude pela previsibilidade que inicialmente aparenta, muito longe disso.

Constituindo esta leitura um caso em que a ficção tomou posse da realidade, a personagem criada é tão palpável que, no fim, só desejamos que corresponda à histórica.

Classificação: 4,5/5*

Sobre o autor:
Segundo o Washington Post, com os seus três romances mais recentes, Mr. Timothy, Os Olhos de Allan Poe e The Black Tower, Louis Bayard ascendeu "ao topo da liga do thriller histórico". Notável autor do New York Times, foi nomeado para os galardões Edgar e Dagger e considerado um dos principais autores do ano pela revista People.

Louis é também um ensaísta e crítico reconhecido a nível nacional cujos artigos foram publicados no New York Times, no Washington Post, no Los Angeles Time, no Huffington Post, Salon, Nerve.com e no Preservation. Entre outros romances da sua autoria incluem-se Fool's Errand e Endangered Species. Deu o seu contributo para as antologias The Worst Noel e Maybe Baby (HarperCollins) e 101 Damnations (St. Martin's). Fotografia: Goodreads

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