quarta-feira, 5 de abril de 2017

"Eusébio Macário" de Camilo Castelo Branco [Opinião]

Título: Eusébio Macário
Autor: Camilo Castelo Branco
Edição/reimpressão: 2016
Editora: Alêtheia Editores
Temática: Romance
N.º de páginas: 120
Para adquirir (outra edição da obra):
 

Sinopse:

«Camilo confessa em carta a um amigo que teve a intenção de divertir o público. "Estimo que o Eusébio Macário fizesse rir. Era o escopo que eu tinha em olho." Mas quê? Pode-se fazer rir de muitas maneiras, e Camilo não ajuda a dizer qual. Pelo contrário, lança sobre o caso uma cortina de fumo (será talvez excessivo dizer: engendra uma estratégia). E nós especulamos. Seria o Eusébio Macário um simples exercício de emulação de escola, empreendido quase por diversão? Ou, menos inocentemente, uma caricatura acintosa? Ou ainda uma vingança espirrada na cara dos atrevidos arautos da nova literatura, que afanosamente desacreditavam os cânones ficcionais a que Camilo toda a vida tinha obedecido, e na verdade tinham feito a sua reputação literária?» A. M. Pires Cabral, in Prefácio

Opinião:

De Camilo Castelo Branco havia lido há alguns anos A Queda Dum Anjo e Amor de Perdição: duas obras claramente resultantes da pena do mesmo autor, contudo totalmente opostas nos temas abordados.

Em Eusébio Macário, o prefácio foi preponderante para compreender o propósito da obra: através de uma impiedosa «tentativa» de imitação, Camilo quis parodiar o estilo em que se alcançaria o expoente máximo com Eça: o realismo. O resultado é uma história tremendamente divertida, com enumerações longuíssimas, descrições detalhadas e personagens, no mínimo, ridículas.

Em resposta a um desafio da sua companheira Ana Plácido, Camilo respondeu-lhe com esta história. Eusébio Macário é o boticário da terra, um negócio que herdou do pai, incluindo as fórmulas utilizadas para a cura de todo o tipo de maleitas. Em seu redor coexistem um conjunto de personagens inesquecíveis de tão risíveis: o filho José Fístula, canastrão inveterado que, após uma passagem pouco proveitosa pela universidade de Coimbra, se dedica ao negócio do pai; a filha Custódia, rapariga dada aos bailaricos; o abade Justino, seu grande amigo que de religião pouco prega e que de política - e mulheres - muito sabe e a «fêmea» deste abade, Felícia: sendo-lhe bastante dedicada é, em igual medida, mal amada.

Todos vivem em Basto, localidade do Norte de Portugal, na década 20 do século XIX. A ordem das coisas altera-se devido à chegada do «brasileiro» Bento, o comendador e irmão de Felícia, recheado da fortuna - e que fortuna! - encontrada no Brasil, que decide visitar a irmã e, naturalmente, todas as atenções lhe passam a ser reservadas.

Num puro desafio satírico, Camilo criou situações num enredo risível do princípio ao fim. A quem for possível ultrapassar as condicionantes linguísticas - que até senti serem menores comparativamente a A Queda Dum Anjo - esta pode ser uma leitura prazerosa e, acima de tudo, muito divertida, algo a que o autor me habitou.

A moral desta história leva-nos a reflectir sobre o poder do dinheiro para alterar estilos de vida, ambições, sonhos, esperanças e, até, o conformismo.

Classificação: 4,0/5*

Sobre o autor:
Camilo Castelo Branco nasce na Encarnação, Lisboa, no dia 16 de março de 1825, e faleceu no dia 1 de Junho de 1890 em São Miguel de Seide, Vila Nova de Famalicão. Era filho ilegítimo de Manuel Joaquim Botelho e Jacinta Maria. Passou a infância em Vila Real (Trás-os-Montes), depois da morte dos pais. Frequentou a sociedade portuense, dedicando-se ao jornalismo, e teve uma vida romanticamente agitada, desde vários casos amorosos e prisão. Sentindo-se cego, suicida-se com um tiro na cabeça na casa de São Miguel de Seide. Notabilizou-se com várias novelas, uma delas Amor de Perdição, adaptada diversas vezes ao cinema. É um dos maiores escritores portugueses do século XIX e o mais prolífico. Quase toda a sua obra ficcional se insere na corrente romântica, tendo feito algumas experiências que partilham certas características com a estética realista e naturalista, como Eusébio Macário (1879), A Corja (1880) e A Brasileira de Prazins (novela, 1883). Fonte: Projecto Vercial Fotografia: Luso Livros

2 comentários:

  1. Adoro Camilo Castelo Branco. Tenho de ler esse livro dele.
    Gostei do teu blogue, passei a segui-lo :)

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    1. Tenho gostado de todos os livros que li dele. Obrigada por seguires! :D

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