quinta-feira, 13 de abril de 2017

"O Prisioneiro do Céu" de Carlos Ruiz Zafón [Opinião]

Título: O Prisioneiro do Céu
Título original:  El Prisionero del Cielo
Autor: Carlos Ruiz Zafón
Tradutor: Sérgio Coelho
Edição/reimpressão: 2012
Editora: Planeta Editora
Temática: Romance
N.º de páginas: 400
Para adquirir:


Sinopse:


Barcelona, 1957. Daniel Sempere e o amigo Fermín, os heróis de A Sombra do Vento, regressam à aventura, para enfrentar o maior desafio das suas vidas. Quando tudo lhes começava a sorrir, uma inquietante personagem visita a livraria de Sempere e ameaça revelar um terrível segredo, enterrado há duas décadas na obscura memória da cidade. Ao conhecer a verdade, Daniel vai concluir que o seu destino o arrasta inexoravelmente a confrontar-se com a maior das sombras: a que está a crescer dentro de si.

Transbordante de intriga e de emoção, O Prisioneiro do Céu é um romance magistral, que o vai emocionar como da primeira vez, onde os fios de A Sombra do Vento e de O Jogo do Anjo convergem através do feitiço da literatura e nos conduzem ao enigma que se esconde no coração de o Cemitério dos Livros Esquecidos.

Opinião:

Desta tetralogia de Carlos Ruiz Zafón, em que se revisita o Cemitério dos Livros Esquecidos, O Prisioneiro do Céu foi a terceira obra publicada. Em relação às duas anteriores, A Sombra do Vento e O Jogo do Anjo, O Prisioneiro do Céu assume o papel de prefácio para a primeira e de posfácio para a segunda, esclarecendo vários aspectos, sobretudo de O Jogo do Anjo em que, no fim de contas, nem tudo correspondeu à realidade.

Mistérios por desvendar continuam a marcar esta narrativa através dos artifícios linguísticos característicos da escrita de Zafón,  porém ausente o sobrenatural marcante em O Jogo do Anjo, e  mais presente desta vez a ficção de teor histórico e social.

É neste contexto que a tão adorada personagem de A Sombra do Vento, Fermín Romero de Torres, surge para novamente brilhar. As revelações acerca do seu passado como prisioneiro no sinistro castelo de Montjuic ainda mais o engrandecem pelo perseverança do seu espírito irreverente. Sujeito a tais condições muitos teriam pura e simplesmente sucumbido à morte ou à loucura.

As condições desta prisão e a luta por um lugar ao sol da personagem Mauricio Valls, director de tão amistoso lugar e o antagonista, mostram o funcionamento da máquina franquista, a escalada na hierarquia instalada na típica luta pelo poder e, na base, os estropiados, esquecidos e sobreviventes, como Fermín ou Rociíto.

Relativamente a outras personagens anteriores, surge igualmente o famigerado David Martín, ele sim o prisioneiro do céu, cuja história terminou de forma abrupta em O Jogo do Anjo e que, afinal, é ainda mais trágica do que se poderia imaginar. Em Daniel Sempere, a quem Fermín dirige os seus desabafos, encontramos os efeitos do que lhe havia sucedido em A Sombra do Vento e descobrimos que homem se tornou. 

Em menos de dois dias estava lido, embrenhada que fiquei com a narrativa de Fermín, como se o mesmo ma estivesse a contar naquela mesa de restaurante.  O final deixa em aberto a mudança sentida em Daniel e em suspenso a sua possível conversão para a escuridão que no seu íntimo nasceu, causando grande ansiedade em relação ao desfecho desta saga no último volume O Labirinto dos Espíritos.   

Uma leitura realizada no âmbito do:


Classificação: 4,5/5*

Nota: 
Rosa de fuego é um conto que nos revela algumas pistas sobre a origem do Cemitério dos Livros Esquecidos e que, segundo o Goodreads, se situa entre O Jogo do Anjo e O Prisioneiro do Céu. Das versões disponíveis online (desconheço se estará disponível a versão em papel) em espanhol e inglês, decidi-me por ler a espanhola. 

Outrora um homem brilhante e poderoso, a sua insatisfação fá-lo aceitar um novo desafio proposto pelo último imperador romano de Constantinopla, porém não o executa a tempo de o implementar, antes da queda da cidade. Edmond de Luna, o arquitecto de labirintos, regressa então à Barcelona do século XV, na época da Inquisição, e traz uma maldição para a cidade e a origem do local mais nebuloso e, em simultâneo, fascinante e intrigante da tetralogia de Zafón. 

Apesar de demasiado curto e de consistir em mais um estímulo para explorar este labirinto misterioso que maravilha os leitores, este conto carrega em si a veia fantástica do autor e uma moral tão velha como o mundo: a ambição desmedida não trará nada além da destruição. 

Classificação: 4,0/5*

Sobre o autor:
Carlos Ruiz Zafón nasceu em Barcelona em 1964. Inicia a sua carreira literária em 1993 com El Príncipe de la Niebla (Prémio Edebé), a que se seguem El Palacio de la Medianoche, Las Luces de Septiembre (reunidos no volume La Trilogía de la Niebla) e Marina. Em 2001 publica A Sombra do Vento, que rapidamente se transforma num fenómeno literário internacional. Com O Jogo de Anjo (2008), O Prisioneiro do Céu (2011) e O Labirinto dos Espíritos (2016) regressa ao Cemitério dos Livros Esquecidos. As suas obras foram traduzidas em mais de quarenta línguas e conquistaram numerosos prémios e milhões de leitores nos cinco continentes. Actualmente, Carlos Ruiz Zafón reside em Los Angeles, onde trabalha nos seus romances, e colabora habitualmente com La Vanguardia e El País. Fonte: WOOK [adaptado]

2 comentários:

  1. Nunca li nada deste autor. Parece interessante!

    ResponderEliminar
  2. Gosto tanto deste autor! O Cemitério dos Livros Esquecidos é uma ideia fantástica! Gosto muito da escrita dele, mesmo dos livros mais juvenis.

    ResponderEliminar